Ruptura da prótese de silicone: sintomas, diagnóstico e tratamento
Dra. Mariana Alcantara • 24 de julho de 2026

Dra. Mariana Alcantara

CRM-SP 150504 | RQE 65.761 

Cirurgiã plástica formada pela UNIFESP e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Atua em cirurgia mamária estética e reparadora, com foco em indicação criteriosa, segurança, naturalidade e respeito à individualidade de cada paciente. 

Conteúdo

A ruptura da prótese de silicone é uma das principais preocupações de mulheres que possuem implantes mamários. Embora muitas pacientes imaginem que uma prótese rompida sempre provoca dor, deformidade ou alterações evidentes nas mamas, a realidade costuma ser diferente.


Na maioria dos casos, a ruptura acontece de forma silenciosa e só é identificada por exames de imagem realizados durante o acompanhamento dos implantes.


Apesar de geralmente não representar uma emergência médica, a ruptura deve ser avaliada por um cirurgião plástico para definir a melhor estratégia de tratamento, que pode envolver a troca da prótese ou o explante mamário, dependendo dos objetivos da paciente.


Principais pontos que você precisa saber


  • A maioria das rupturas é silenciosa e o gel de silicone fica contido dentro da cápsula do implante.
  • A ressonância magnética é o exame mais preciso para avaliar a integridade dos implantes.
  • A ruptura não costuma ser uma emergência.
  • Nem toda paciente precisa trocar a prótese após 10 anos.
  • O tratamento da ruptura pode envolver troca da prótese ou explante.



O que é a ruptura da prótese de silicone?


A ruptura do implante de silicone ocorre quando o invólucro externo da prótese perde sua integridade. Como consequência, o gel de silicone pode permanecer contido pela cápsula formada naturalmente ao redor do implante (ruptura intracapsular) ou, em situações menos frequentes, ultrapassar essa barreira e alcançar tecidos adjacentes da mama (ruptura extracapsular).


Embora os implantes modernos sejam desenvolvidos para oferecer elevada resistência e durabilidade, nenhum implante é considerado permanente. Com o passar dos anos, o risco de ruptura tende a aumentar gradualmente, motivo pelo qual o acompanhamento periódico é importante para avaliar a integridade dos implantes mamários.


Estudos mostram que a ruptura pode ocorrer em aproximadamente 7% a 15% das pacientes ao longo do tempo, especialmente em implantes mais antigos.



Toda prótese de silicone pode romper?


Sim.


Independente da marca ou do modelo utilizado, toda prótese está sujeita a desgaste ao longo do tempo.


Entretanto, isso não significa que todas as pacientes desenvolverão ruptura.


Os implantes atuais apresentam tecnologia significativamente mais avançada quando comparados às gerações anteriores, com invólucros mais resistentes e gel de alta coesividade.


Por esse motivo, muitas pacientes permanecem muitos anos sem apresentar qualquer alteração relacionada ao implante.



Prótese rompida faz mal para a saúde?


Na maioria dos casos, não. A ruptura de prótese mamária pode causar complicações locais, mas não representa uma emergência médica.


Devido à alta coesividade do gel de silicone, os implantes modernos tendem a manter sua forma mesmo após a ruptura. Além disso, na maioria dos casos, o silicone permanece contido pela cápsula que se forma naturalmente ao redor da prótese.


Ainda assim, sempre que houver suspeita ou confirmação de ruptura, é fundamental procurar avaliação com um cirurgião plástico. A partir da avaliação clínica e dos exames de imagem, será possível definir a conduta mais adequada, que pode incluir a substituição do implante ou, em alguns casos, o explante mamário.


Como ocorre a ruptura da prótese?


A ruptura pode ocorrer por desgaste natural do implante ao longo dos anos, falhas estruturais do invólucro, traumas de alta energia ou fatores relacionados ao envelhecimento da prótese. Geralmente não existe um evento específico identificado como causa da ruptura.



Quais são os tipos de ruptura?


Ruptura intracapsular


É a forma mais comum.


Na ruptura intracapsular, a prótese rompe, mas o gel de silicone permanece contido pela cápsula que reveste o implante.


Como o conteúdo não se espalha para os tecidos vizinhos, muitas pacientes permanecem assintomáticas.

Por esse motivo, grande parte dos casos é identificada apenas através de exames de imagem.


Ruptura extracapsular


Ocorre quando o gel de silicone ultrapassa a cápsula e entra em contato com os tecidos ao redor da mama.


Embora seja menos frequente, pode estar associada a:

  • Inflamação local
  • Formação de nódulos
  • Alterações do contorno mamário
  • Linfonodos com silicone


Nesses casos, o planejamento cirúrgico costuma exigir avaliação mais detalhada.



Quais são os sintomas da ruptura da prótese?


Uma das maiores dificuldades relacionadas ao diagnóstico é que muitas rupturas são intracapsulares e não provocam sintomas. Assim, a maioria das rupturas é silenciosa e a mama mantém sua aparência normal.

Na ruptura extracapsular, o gel de silicone pode extravasar para os tecidos adjacentes, podendo desencadear reação inflamatória local e sintomas como:


  • Alteração do contorno mamário
  • Dor localizada
  • Nódulos palpáveis


A ausência de sintomas não exclui a possibilidade de ruptura.


Como saber se a prótese rompeu?


O exame físico isolado possui limitações importantes.


Mesmo pacientes acompanhadas regularmente podem apresentar rupturas silenciosas sem alterações evidentes ao exame clínico.


Por isso, os exames de imagem exercem papel fundamental no seguimento das pacientes com implantes e no diagnóstico da ruptura da prótese.


Quais exames detectam ruptura da prótese?


Ultrassonografia

A ultrassonografia costuma ser utilizada como método inicial de avaliação.

É acessível, amplamente disponível e capaz de identificar muitos casos de ruptura.


Ressonância magnética

A ressonância magnética das mamas é considerada o exame de maior acurácia para avaliação da integridade dos implantes mamários.


Ela permite identificar rupturas intracapsulares que podem ser difíceis de diagnosticar por ultrassonografia.



O que a ressonância magnética mostra quando a prótese rompe?


Nas rupturas intracapsulares, um dos achados clássicos é o chamado sinal do linguine, que corresponde ao aspecto característico de linhas onduladas do invólucro rompido da prótese dentro da cápsula que permanece ao seu redor.


A ressonância também permite identificar rupturas extracapsulares, quando o silicone ultrapassa a cápsula e alcança os tecidos adjacentes da mama.


Esses achados auxiliam na confirmação do diagnóstico e no planejamento cirúrgico mais adequado para cada paciente.


A mamografia pode romper a prótese?


O risco é extremamente baixo.


Embora essa seja uma dúvida frequente, a mamografia é considerada um exame seguro para mulheres com implantes mamários. Casos de ruptura associados ao exame são raros, pois o exame é realizado com técnicas específicas que permitem melhor visualização das mamas enquanto minimizam a compressão direta sobre o implante.


A presença dos implantes não deve impedir a realização dos exames de rastreamento do câncer de mama quando houver indicação.


Preciso trocar a prótese após 10 anos?


Não necessariamente.

Atualmente não existe recomendação científica que determine a troca obrigatória de todos os implantes após 10 anos.


A decisão deve ser baseada em:

  • Sintomas
  • Exames de imagem
  • Integridade do implante
  • Objetivos da paciente


Por esse motivo, muitas mulheres permanecem com seus implantes por períodos superiores sem necessidade de cirurgia.



Como acompanhar a integridade das próteses ao longo do tempo?


O acompanhamento periódico dos implantes mamários é importante para identificar alterações precocemente.


Em muitas pacientes, exames de imagem realizados durante o seguimento permitem identificar rupturas silenciosas antes que surjam alterações perceptíveis nas mamas.


As recomendações atuais sugerem que pacientes assintomáticas com implantes de silicone realizem o primeiro exame de imagem — ultrassonografia ou ressonância magnética das mamas sem contraste — entre 5 e 6 anos após a colocação do implante.

Após uma avaliação inicial normal, os exames podem ser repetidos a cada 2 a 3 anos.


Vigilância de rotina em pacientes assintomáticas com implantes de silicone: 


• Primeira avaliação: 5 a 6 anos após a colocação do implante

• Seguimento: a cada 2 a 3 anos após um exame inicial sem alterações

• Exames: ultrassonografia ou ressonância magnética das mamas sem contraste


O que acontece quando a ruptura é confirmada?


Implantes rompidos necessitam de encaminhamento cirúrgico para remoção ou substituição.

As possibilidades de tratamento incluem:


Troca da prótese

Indicada para pacientes que desejam trocar os implantes rotos por novos.


Explante mamário

Algumas pacientes optam pela retirada definitiva das próteses.

Nessas situações, a cirurgia pode ser realizada isoladamente ou associada a outros procedimentos.


Leia também: Explante mamário: quando pode ser indicado e como é realizado


Troca de prótese associada a mastopexia

Quando existe flacidez ou excesso de pele, a mastopexia pode ajudar a reposicionar as mamas e as aréolas após a troca dos implantes.


Capsulectomia

Dependendo das características da cápsula, da extensão da ruptura (intracapsular ou extracapsular), dos sintomas apresentados e dos objetivos da paciente, pode ser indicada a remoção parcial, subtotal ou total da cápsula.


Leia também: Capsulectomia: o que é, quando pode ser indicada e como é realizada



Ruptura da prótese e contratura capsular são a mesma coisa?


Não.

São condições diferentes.

A contratura capsular ocorre quando a cápsula ao redor do implante se torna excessivamente rígida, podendo causar dor e deformidade na mama.


Já a ruptura corresponde à perda da integridade do implante.


Embora possam ocorrer simultaneamente, uma condição não necessariamente causa a outra.


Leia também: Contratura capsular: sintomas, causas e tratamento.



A ruptura da prótese é uma emergência?


Na maioria das situações, não.


Diferentemente do que muitas pacientes imaginam, a confirmação de uma ruptura normalmente não exige cirurgia imediata.


Entretanto, a avaliação especializada continua sendo importante para definir o planejamento adequado e evitar complicações futuras.


A ruptura da prótese causa câncer?


Não existem evidências de que a ruptura da prótese de silicone cause câncer de mama ou outros tipos de câncer sólido. Entretanto, qualquer alteração relacionada ao implante deve ser avaliada por um cirurgião plástico para definição do diagnóstico e da conduta mais adequada.


Perguntas frequentes

  • É possível ter uma prótese rompida por anos sem saber?

    Sim. Muitas rupturas são silenciosas e só são identificadas durante exames de imagem realizados no acompanhamento dos implantes.

  • O silicone de uma prótese rompida pode se espalhar pelo corpo inteiro?

    Nas rupturas intracapsulares, o silicone geralmente permanece contido pela cápsula ao redor do implante. Nas rupturas extracapsulares, pode ocorrer migração para tecidos próximos e linfonodos.


    Embora o silicone possa alcançar locais mais distantes em situações específicas, a disseminação extensa pelo organismo é rara. A migração ocorre principalmente através do sistema linfático e costuma acometer os linfonodos da região.

  • Uma pancada pode romper a prótese?

    Na maioria das situações, traumas habituais do dia a dia não provocam ruptura. Entretanto, acidentes de alta energia podem aumentar esse risco.

  • Posso esperar alguns meses para operar uma prótese rompida?

    Em muitos casos, sim. A ruptura costuma permitir planejamento cirúrgico eletivo. A decisão deve ser individualizada após avaliação clínica e análise dos exames de imagem.

  • É possível trocar a prótese e aumentar ou reduzir o volume no mesmo procedimento?

    Sim. Muitas pacientes aproveitam a cirurgia para modificar o tamanho ou o perfil dos implantes.

  • Toda prótese rompida precisa ser trocada?

    Nem toda prótese rompida precisa ser substituída por uma nova prótese.


    Quando a ruptura é confirmada, geralmente é recomendada a remoção do implante rompido. A paciente pode optar pela substituição por uma nova prótese ou pelo explante mamário, dependendo dos seus objetivos e preferências.

  • Toda ruptura exige capsulectomia total?

    Não. A necessidade de remover parcial ou totalmente a cápsula depende das características encontradas durante a avaliação e do planejamento cirúrgico.

Dra. Mariana Alcantara
Cirurgiã Plástica – CRM-SP 150504/RQE 65671
Material técnico e experiência clínica utilizados na elaboração deste conteúdo.


Referências


  1. U.S. Food and Drug Administration. Risks and Complications of Breast Implants. 2023 Dec 14. Acesso em: 29 jul. 2026. 
  2. American College of Radiology. ACR Appropriateness Criteria® Breast Implant Evaluation. 2023. Acesso em: 29 jul. 2026.
  3. Jagasia P, Zhang J, Cohen I, Kim JYS, Fracol M. Evaluation of Major Complications Following Ruptured Implant Removal: A National Surgery Quality Improvement Program Database Analysis. Aesthet Surg J. 2025 Sep 16;45(10):NP187-NP192. 


Compartilhe esse artigo

Posts recentes

Mulher vestindo regata branca, segurando o seio, sugerindo dor ou desconforto na região.
Por Dra. Mariana Alcantara 30 de julho de 2026
Entenda o que é a capsulectomia, quando ela pode ser indicada e como é realizada a remoção da cápsula ao redor da prótese mamária.
Mulher usando sutiã, segurando a região do seio com expressão de desconforto, ilustração de sintomas de contratura capsular
Por Dra. Mariana Alcantara 29 de julho de 2026
Entenda o que é a contratura capsular, por que ela pode ocorrer, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento.