Capsulectomia: o que é, quando pode ser indicada e como é realizada
Dra. Mariana Alcantara • 30 de julho de 2026

Dra. Mariana Alcantara

CRM-SP 150504 | RQE 65.761 

Cirurgiã plástica formada pela UNIFESP e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Atua em cirurgia mamária estética e reparadora, com foco em indicação criteriosa, segurança, naturalidade e respeito à individualidade de cada paciente. 

Conteúdo

O que você vai aprender: o que é a capsulectomia, em quais situações ela pode ser indicada e como é realizada a remoção parcial ou total da cápsula formada ao redor da prótese mamária. 


A capsulectomia é o procedimento cirúrgico realizado para remover parcial ou totalmente a cápsula de tecido cicatricial que se forma naturalmente ao redor de um implante mamário.


Embora toda paciente desenvolva uma cápsula ao redor da prótese, existem situações em que esse tecido pode apresentar alterações ou precisar ser removido durante uma cirurgia de revisão mamária, explante ou tratamento de complicações relacionadas ao implante.


Nos últimos anos, a busca por informações sobre capsulectomia aumentou significa vamente, especialmente entre pacientes que pesquisam sobre contratura capsular, sintomas sistêmicos associados aos implantes, frequentemente chamados de Doença do Silicone (Breast Implant Illness), ruptura de prótese e explante mamário.


Principais pontos que você precisa saber


  • Toda prótese de silicone forma uma cápsula ao seu redor.
  • A capsulectomia é a cirurgia para re rada da cápsula que envolve a prótese.
  • Nem toda paciente precisa retirar toda a cápsula.
  • A cirurgia pode ser parcial, total ou em bloco.
  • A indicação depende das caracterís cas da cápsula e do motivo da cirurgia.
  • A decisão deve ser individualizada. 


O que é capsulectomia?


Capsulectomia é a cirurgia para remover parcial ou totalmente a cápsula que envolve o implante mamário. A extensão da remoção depende da condição da cápsula e dos objetivos do tratamento.


O procedimento pode ser realizado isoladamente ou associado a outras cirurgias, como: 

  • Explante mamário
  • Troca de prótese
  • Mastopexia
  • Correção de contratura capsular 


O que é a cápsula que se forma ao redor da prótese?

Sempre que um implante mamário é colocado, o organismo cria uma fina camada de tecido cicatricial ao seu redor. Essa estrutura recebe o nome de cápsula periprotética.


A formação da cápsula faz parte da resposta natural do corpo à presença do implante e ocorre em pra camente todas as pacientes.


Na maioria dos casos, essa cápsula permanece fina, flexível e não provoca sintomas. Entretanto, em algumas situações, ela pode sofrer alterações e tornar-se mais espessa, rígida, calcificada ou inflamada.


A presença da cápsula, por si só, não significa que existe um problema. Pelo contrário, trata-se de um mecanismo fisiológico de proteção e isolamento do implante. Apenas uma parcela das pacientes desenvolve alterações que podem exigir acompanhamento ou tratamento específico. 



Quando a capsulectomia pode ser indicada? 


As principais indicações para capsulectomia incluem: 

A contratura capsular ocorre quando a cápsula se torna excessivamente rígida e passa a comprimir a prótese. Dependendo da gravidade do quadro, a remoção parcial ou total da cápsula pode fazer parte do tratamento. 


Ruptura do implante:

A necessidade de remover parcial ou totalmente a cápsula depende das características da ruptura, dos achados identificados durante a avaliação e do planejamento cirúrgico.


Em rupturas intracapsulares sem sintomas significativos, procedimentos mais conservadores podem ser suficientes.


Já em casos de ruptura extracapsular, contratura capsular associada, sintomas importantes ou alterações da cápsula, pode ser indicada uma capsulectomia mais extensa. 


Explante mamário

Pacientes que optam pela retirada definitiva dos implantes podem necessitar ou não de capsulectomia. A decisão é individualizada e leva em consideração as características da cápsula, os sintomas apresentados, os achados dos exames e os objetivos da paciente.


Existem situações em que a cápsula apresenta alterações como espessamento importante, calcificações, inflamação crônica ou seroma tardio. Nesses casos, pode-se considerar a remoção parcial ou total da cápsula. 


BIA-ALCL 

O BIA-ALCL é um tipo raro de linfoma associado a determinados implantes mamários texturizados.


Quando existe suspeita de BIA-ALCL, é necessária investigação diagnóstica adequada. Nos casos confirmados, a abordagem cirúrgica inclui a remoção da cápsula e do implante juntos, em uma peça única. 


Quais são os tipos de capsulectomia? 


Existem diferentes formas de realizar a retirada da cápsula.


Capsulectomia parcial

Remove apenas parte da cápsula. 


Pode ser realizada em pacientes sem sintomas importantes, com cápsula fina e sem alterações significativas. Nesses casos, a remoção completa da cápsula nem sempre oferece benefício adicional. 


Uma forma frequente de capsulectomia parcial, especialmente em cirurgias de explante com implantes posicionados atrás do músculo, consiste na remoção da maior parte da cápsula, preservando pequenas áreas firmemente aderidas aos tecidos mais profundos. Essa abordagem também pode ser chamada de capsulectomia subtotal. 


Capsulectomia total

Remove toda a cápsula ao redor do implante, embora ela não precise necessariamente ser retirada intacta ou em uma única peça. Pode ser indicada em casos específicos de contratura capsular avançada, ruptura extracapsular ou quando a cápsula apresenta alterações importantes, como calcificações e espessamento significativo.


Capsulectomia em bloco

O implante e a cápsula são removidos juntos, como uma única peça intacta. Embora frequentemente citado nas redes sociais, a capsulectomia em bloco, frequentemente chamada de "explante em bloco" possui indicações específicas e não é necessário para todas as pacientes.


Capsulectomia total e explante em bloco são a mesma coisa?


Não.


Essa é uma das maiores dúvidas entre pacientes que pesquisam sobre explante mamário. Na capsulectomia total, toda a cápsula é removida, mas não necessariamente em uma única peça intacta. O implante pode ser retirado antes, e a cápsula pode ser removida em fragmentos, desde que todo o tecido capsular seja retirado.


Já no explante em bloco, o implante e a cápsula são removidos juntos, como uma única peça, mantendo a cápsula intacta ao redor do implante durante toda a retirada.


Toda paciente precisa retirar a cápsula?


Não. As evidências científicas atuais mostram que nem toda paciente que irá realizar explante ou troca dos implantes necessita obrigatoriamente realizar a capsulectomia.


A decisão leva em consideração diversos fatores, como:

  • O motivo da cirurgia;
  • As características da cápsula;
  • A presença de sintomas;
  • A anatomia e as preferências da paciente;
  • A avaliação do cirurgião.


Como é realizada a capsulectomia?


A capsulectomia é realizada em ambiente hospitalar, geralmente sob anestesia geral.


Durante o procedimento, o cirurgião avalia as características da cápsula e realiza a remoção conforme o planejamento definido para cada caso.


Dependendo do caso, a cirurgia pode envolver:


  • • Remoção parcial da cápsula (capsulectomia parcial)
  • • Remoção completa da cápsula (capsulectomia total)
  • • Retirada do implante e da cápsula em peça única (capsulectomia em bloco)


Quais são os riscos da capsulectomia?


Assim como qualquer procedimento cirúrgico, a capsulectomia apresenta riscos potenciais.

Entre eles:


  • Hematoma
  • Seroma
  • Infecção
  • Alterações de sensibilidade
  • Cicatrização desfavorável
  • Pequenas lesões no músculo peitoral maior ou em estruturas adjacentes, principalmente quando o implante está localizado atrás do músculo.


Em geral, a capsulectomia é uma cirurgia mais complexa do que a simples retirada ou troca dos implantes, especialmente quando a cápsula está aderida a estruturas profundas. Por esse motivo, a decisão de realizar uma capsulectomia deve sempre considerar o equilíbrio entre os benefícios esperados e os riscos do procedimento.


Como é a recuperação da capsulectomia?


A recuperação depende da extensão da capsulectomia e da realização de procedimentos associados, como troca dos implantes, explante mamário ou mastopexia.


Os cuidados após a cirurgia incluem:


  • Uso de sutiã cirúrgico
  • Restrição temporária de atividades físicas
  • Fisioterapia pós-operatória, quando indicada
  • Acompanhamento pós-operatório
  • Retorno gradual às atividades habituais


De modo geral, a maioria das pacientes apresenta boa evolução quando segue adequadamente as orientações pós-operatórias.


Experiência clínica da Dra. Mariana Alcantara


Na prática clínica, é frequente a dúvida sobre a necessidade de retirar integralmente toda a cápsula.


Durante a consulta, são avaliados o motivo da indicação da capsulectomia, as características da cápsula, a posição dos implantes e os objetivos da cirurgia. A partir desse conjunto de informações, é definido o planejamento mais adequado ao caso.


Em algumas situações, preservar uma pequena área firmemente aderida pode ser mais seguro do que realizar a remoção completa da cápsula. Isso é especialmente relevante nos casos de implantes em posição submuscular, em que sua porção posterior pode estar aderida ao músculo peitoral ou a estruturas mais profundas da parede torácica.


Além dos critérios técnicos, as preferências da paciente também são consideradas no planejamento cirúrgico. O objetivo é definir uma abordagem segura e personalizada, conciliando, sempre que possível, as indicações médicas com seus desejos e expectativas.


Perguntas frequentes


  • A cápsula pode causar sintomas mesmo após a retirada da prótese?


    Essa é uma preocupação frequente entre pacientes que planejam o explante mamário. Entretanto, a presença de uma cápsula residual não significa, por si só, que haverá sintomas.


    A necessidade de remoção parcial ou total da cápsula deve ser avaliada de forma individualizada, considerando suas características, os sintomas apresentados e o contexto clínico de cada paciente.

  • A cápsula pode se transformar em câncer?

    Descreva o item ou responda a pergunta para que os visitantes do site que estejam interessados possam obter mais informações. Você pode enfatizar este texto com marcadores, itálico ou negrito e adicionar links.
  • A capsulectomia total melhora mais os sintomas da Doença do Silicone?

    Até o momento, os estudos disponíveis não demonstram de forma consistente que a capsulectomia total ofereça resultados superiores à capsulectomia parcial ou subtotal na melhora dos sintomas sistêmicos relatados por algumas pacientes. Em pacientes com sintomas sistêmicos atribuídos aos implantes mamários, um estudo prospectivo demonstrou melhora significativa e semelhante dos sintomas após o explante, independentemente de a capsulectomia ter sido parcial, total ou "em bloco".²





  • É possível realizar mastopexia no mesmo procedimento da capsulectomia?

    Sim. Em muitos casos, a retirada da cápsula pode ser associada à mastopexia para melhorar o formato e o posicionamento das mamas após o explante ou a troca dos implantes.

  • Quanto tempo a cápsula permanece no organismo?

    A cápsula pode permanecer indefinidamente no organismo se não for removida cirurgicamente, embora possa sofrer remodelação e afinamento progressivo ao longo do tempo, sem necessariamente causar sintomas ou complicações. A evidência mostra que a reabsorção completa não é garantida e que cápsulas podem persistir por anos ou décadas após a remoção do implante.

  • Toda cápsula calcificada precisa ser removida?

    Não, nem sempre.


    A presença de calcificações é apenas um dos fatores considerados na avaliação cirúrgica. A indicação depende também dos sintomas, achados cirúrgicos e contexto clínico.

     


  • Por que nem todos os cirurgiões indicam o explante em bloco?


    Porque essa técnica possui indicações específicas e pode aumentar a complexidade cirúrgica. Por isso, sua realização deve ser baseada em critérios médicos bem definidos.


    O explante em bloco é reservado para situações de suspeita ou diagnóstico confirmado de BIA-ALCL e de outras malignidades raras da cápsula, após investigação adequada. Nas condições benignas, não há evidências científicas que justifiquem sua realização de forma rotineira. Nesses casos, a abordagem deve ser individualizada.

Referências

  1. Adams WP Jr, Culbertson EJ, Deva AK, et al. Joint Patient Safety Advisory - Breast Implant Removal and Capsulectomy. Aesthetic Surgery Journal. 2023.
  2. Glicksman C, McGuire P, Kadin M, Lawrence M, Haws M, Newby J, Ferenz S, Sung J, Wixtrom R. Impact of Capsulectomy Type on Post-Explantation Systemic Symptom Improvement: Findings From the ASERF Systemic Symptoms in Women-Biospecimen Analysis Study: Part 1. Aesthet Surg J. 2022 Jun 20;42(7):809-819.

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