Dra. Mariana Alcantara
CRM-SP 150504 | RQE 65.761
Cirurgiã plástica formada pela UNIFESP e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Atua em cirurgia mamária estética e reparadora, com foco em indicação criteriosa, segurança, naturalidade e respeito à individualidade de cada paciente.
O que você vai aprender: o que é a contratura capsular, por que ela pode acontecer, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento.
A contratura capsular é uma das principais complicações associadas aos implantes mamários e pode causar endurecimento, deformidade e dor nas mamas.¹ A incidência estimada dessa complicação varia significativamente conforme o contexto clínico, o tipo de implante e a técnica cirúrgica utilizada.
A contratura capsular pode surgir meses ou anos após a cirurgia e costuma evoluir de forma gradual. Felizmente, existem formas de diagnóstico, prevenção e tratamento que permitem controlar essa condição e restaurar o conforto e a estética das mamas.
Principais pontos que você precisa saber
- A contratura capsular ocorre quando a cápsula ao redor da prótese se torna espessa e rígida.
- Os principais sinais de alerta são endurecimento, alteração do formato da mama e dor.
- O diagnóstico é realizado principalmente por avaliação clínica.
- Quadros iniciais podem ser acompanhados ou tratados com medicações específicas, enquanto casos avançados frequentemente exigem cirurgia.
- A indicação do tratamento depende do grau da contratura e dos sintomas apresentados.
O que é contratura capsular?
A contratura capsular ocorre quando a cápsula, uma membrana de tecido cicatricial formada naturalmente ao redor da prótese, se torna excessivamente espessa e rígida.
Toda paciente desenvolve uma cápsula ao redor do implante, mas apenas uma parcela evolui para contratura capsular. Quando isso acontece, a cápsula pode comprimir a prótese e provocar endurecimento da mama, alteração do formato, desconforto ou dor.
Quais são os sintomas da contratura capsular?
Muitas pacientes procuram avaliação por perceber que a mama ficou mais dura, mais alta, assimétrica ou dolorida ao longo do tempo. Esses são alguns dos sinais que podem estar associados à contratura capsular, especialmente quando surgem de forma progressiva após a cirurgia.
Os sintomas variam conforme o grau de espessamento e retração da cápsula ao redor do implante. Nos estágios iniciais, as alterações podem ser discretas. Já nos casos mais avançados, podem ocorrer mudanças visíveis no formato das mamas e desconforto significativo.
Os sinais e sintomas mais comuns incluem:
- Endurecimento progressivo da mama
- Sensação de prótese excessivamente firme
- Alteração do formato mamário
- Assimetria entre as mamas
- Deslocamento do implante
- Dor, desconforto ou sensibilidade aumentada
- Aspecto ar ficial da mama
Nos casos mais avançados, a deformidade pode ser perceptível mesmo em repouso.
Quando procurar avaliação médica?
Costumo orientar as pacientes de que os principais sinais de alerta para contratura capsular são endurecimento progressivo das mamas, alteração do formato ou posicionamento mais elevado da mama e dor mamária persistente.
Na presença desses sintomas, é importante procurar avaliação médica.
O que causa a contratura capsular?
A contratura capsular é considerada uma condição multifatorial.
Atualmente, uma das hipóteses científicas mais estudadas envolve a formação de biofilme bacteriano subclínico na superfície do implante.¹ A hipótese é que pequenas quantidades de bactérias, especialmente Staphylococcus epidermidis, podem desencadear uma resposta inflamatória crônica de baixa intensidade, favorecendo o espessamento e a retração da cápsula ao longo do tempo.
Além disso, alguns fatores estão associados a maior risco de desenvolvimento da contratura capsular. ¹ ²
Fatores de risco relacionados à paciente
- Idade mais avançada
- Sobrepeso ou obesidade
- Tabagismo
Complicações pós-operatórias
- Hematoma
- Seroma
- Infecção da ferida operatória
Fatores cirúrgicos
- Posicionamento subglandular do implante
- Incisão periareolar
- Maior manipulação do implante durante o procedimento
Reconstrução mamária
Pacientes submetidas à reconstrução mamária após câncer de mama apresentam risco significativamente maior de contratura capsular quando comparadas às pacientes submetidas ao aumento mamário estético.
O risco é particularmente elevado em pacientes submetidas à radioterapia adjuvante como parte do tratamento do câncer de mama.
Tempo de implante
O risco tende a aumentar ao longo dos anos. Quanto maior o tempo de permanência do implante, maior pode ser a probabilidade de desenvolvimento da complicação.
Como é feito o diagnóstico da contratura capsular?
O diagnóstico é principalmente clínico.
Durante a consulta, avalio a consistência da mama, a posição do implante, a presença de dor e possíveis alterações estéticas.
A principal ferramenta diagnóstica utilizada é a Classificação de Baker, que correlaciona os sinais e sintomas observados aos diferentes graus de contratura capsular.
Classificação de Baker
| Grau | Características |
|---|---|
| Baker I | Mamas macias e com aspecto natural |
| Baker II | Pequeno endurecimento sem sintomas relevantes |
| Baker III | Endurecimento perceptível com alteração estética |
| Baker IV | Endurecimento intenso, deformidade evidente e dor |
As contraturas Baker III e IV são consideradas clinicamente significativas.
Exames complementares
Embora o diagnóstico seja predominantemente clínico, exames de imagem podem auxiliar na avaliação.
Ultrassonografia das mamas
Pode ser utilizada para avaliação complementar do implante e da cápsula.
Ressonância magnética das mamas
É considerada o exame mais completo para avaliação da integridade dos implantes mamários e das complicações associadas.
Os exames costumam ser indicados quando:
- Existe dúvida diagnóstica
- Há suspeita de ruptura do implante
- Está sendo realizado planejamento cirúrgico
É possível prevenir a contratura capsular?
Não existe método capaz de eliminar completamente o risco de contratura capsular. Entretanto, diversas estratégias ajudam a reduzir significativamente sua ocorrência.
As principais estratégias estudadas e associadas à redução do risco de contratura capsular são:
- Técnica “no-touch” com funil de inserção de implantes
- Irrigação antimicrobiana da loja cirúrgica
- Posicionamento submuscular ou dual plane
- Incisão inframamária
- Protocolos rigorosos de assepsia e redução da contaminação bacteriana que incluem troca de luvas antes da inserção do implante, uso de protetores mamilares durante cirurgia e lavagem antisséptica pré-operatória da pele.
Essas estratégias têm como objetivo reduzir a formação de biofilme bacteriano e minimizar a resposta inflamatória ao redor do implante. ¹ ³
Como é feito o tratamento da contratura capsular?
A maior parte das pacientes que chegam ao consultório acredita que toda contratura capsular exige a retirada da prótese, mesmo quando não apresenta sintomas e a contratura é identificada apenas em exames de imagem.
Na realidade, o tratamento depende do grau da contratura e da intensidade dos sintomas.
Casos iniciais
Em algumas pacientes com contraturas leves, especialmente Baker II, pode ser considerada observação clínica associada a medidas medicamentosas específicas. Entre as opções medicamentosas estudadas estão:
- Inibidores de leucotrienos: montelucaste e zafirlucaste
- Ácidos graxos ômega-3
Entretanto, a evidência científica para tratamento não cirúrgico permanece limitada.¹
Casos moderados e avançados
Nos casos classificados como Baker III e IV, o tratamento de escolha é cirúrgico.
As principais opções incluem:
Capsulectomia
Remoção parcial ou total da cápsula ao redor do implante.
Troca do implante A troca da prótese está associada a menores taxas de recorrência em diversos estudos ⁵
Mudança do plano cirúrgico
A escolha depende da anatomia da paciente e do plano em que os implantes estão posicionados.
Pode envolver:
- Subglandular para submuscular
- Subglandular para dual plane
- Submuscular para dual plane ou subglandular
Quando a cirurgia costuma ser indicada?
| Situação | Conduta mais comum |
|---|---|
| Baker I | Observação |
| Baker II | Avaliação individualizada |
| Baker III | Tratamento cirúrgico frequentemente indicado |
| Baker IV | Tratamento cirúrgico geralmente indicado |
Em alguns casos, o tratamento pode envolver troca dos implantes ou cirurgia de explante. Entenda quando essa abordagem pode ser indicada na página sobre Explante de Silicone
Toda paciente com contratura precisa fazer capsulectomia total?
Não.
Embora alguns estudos sugiram diferenças nas taxas de recorrência entre capsulectomia parcial e total, as evidências científicas ainda são limitadas e inconclusivas.⁴ ⁵
As revisões mais recentes demonstram que fatores como troca do implante, mudança do plano cirúrgico e refinamento da técnica operatória parecem exercer maior impacto na redução da recorrência do que o tipo de capsulectomia isoladamente.
Saiba mais: Capsulectomia Total ou Parcial: qual a diferença?
A capsulectomia total é sempre melhor?
Não necessariamente.
Até o momento, não existem evidências robustas demonstrando superioridade consistente da capsulectomia total em comparação à capsulectomia parcial.⁴ ⁵
Além disso, a capsulectomia total costuma exigir uma dissecção mais extensa e pode apresentar maior complexidade e risco de complicações, especialmente quando a cápsula está aderida à parede torácica.
Por isso, a escolha da abordagem da cápsula no tratamento da contratura deve ser individualizada, considerando segurança cirúrgica, características anatômicas, histórico da paciente e objetivos do tratamento.
Contratura capsular pode voltar após a cirurgia?
Sim, mesmo após o tratamento cirúrgico adequado, existe risco de recorrência. Essa probabilidade depende da causa da contratura, da técnica cirúrgica utilizada e das características individuais de cada paciente.⁵
Em pacientes com múltiplos fatores de risco para contratura capsular ou que já apresentaram recidiva após o tratamento inicial, é importante discutir a possibilidade de explante como opção definitiva para o tratamento da contratura.
Experiência clínica da Dra. Mariana Alcantara
Na prática clínica, muitas pacientes acreditam que qualquer endurecimento da mama significa necessidade imediata de cirurgia. Entretanto, a decisão depende do grau da contratura, dos sintomas apresentados e dos objetivos individuais de cada paciente. Nem toda paciente necessita de capsulectomia total ou explante.
A avaliação especializada permite diferenciar situações que podem ser apenas acompanhadas daquelas que realmente exigem intervenção cirúrgica. O planejamento individualizado continua sendo fundamental para definir a abordagem mais adequada em cada caso.
Perguntas frequentes
Quanto tempo após a colocação da prótese pode surgir a contratura capsular?
Quanto tempo após a colocação da prótese pode surgir a contratura capsular?
A contratura capsular sempre piora com o tempo?
Nem sempre. Alguns casos permanecem estáveis por longos períodos, enquanto outros apresentam progressão gradual dos sintomas.
Quem já teve contratura capsular tem mais risco de desenvolver novamente?
Sim. Pacientes com histórico prévio de contratura capsular podem apresentar maior risco de recorrência, motivo pelo qual o planejamento cirúrgico é especialmente importante.
A prótese rompida pode causar contratura capsular?
Sim. A ruptura do implante pode estar associada a inflamação local e aumentar o risco de alterações da cápsula em alguns casos.
Exercícios físicos causam contratura capsular?
Não há evidências de que a prática regular de atividade física cause contratura capsular. O retorno aos exercícios deve seguir as orientações do cirurgião plástico.
Existe alguma forma de eliminar completamente o risco de contratura capsular?
Não. Mesmo com técnicas modernas de prevenção, não existe método capaz de eliminar completamente o risco, apenas reduzi-lo.
Dra. Mariana Alcantara
Cirurgiã Plástica – CRM-SP 150504/RQE 65671
Material técnico e experiência clínica utilizados na elaboração deste conteúdo.
Referências
- Paul M, Song WJ, Im J. Multidisciplinary approaches for the preven on and management of capsular contracture: a review of clinical, pharmacological, and biomaterial-based strategies. Int J Pharm. 2026;691:126602. doi:10.1016/j.ijpharm.2026.126602.
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- Chow O, Garduce P, Lajevardi SS, Adams WP, Deva AK. Risk factors for capsular contracture: a study of 91 537 breast implants over 6 years from the Australian Breast Device Registry. Plast Reconstr Surg. 2026 Feb 25. doi:10.1097/PRS.0000000000012975. Online ahead of print.
- Collis N, Sharpe DT. Recurrence of subglandular breast implant capsular contracture: anterior versus total capsulectomy. Plast Reconstr Surg. 2000;106(4):792-797. doi:10.1097/00006534200009040-00006.
- Boyd CJ, Chiodo MV, Lisiecki JL, Wagner RD, Rohrich RJ.
Systematic review of capsular contracture management following breast augmentation: an update. Plast Reconstr Surg. 2024;153(2):303e321e. doi:10.1097/PRS.0000000000010358.



